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Sobe juro para financiar veículos; crédito também cresce em maio

Volume de financiamento teve alta sobre 2009, segundo associação.
Taxa média de juros fechou em 1,43% ao mês, maior que a de abril.

 

A taxa média de juros para financiamento de veículos praticada pelas empresas ligadas à Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) fechou maio em 1,43% ao mês (18,58% ao ano). Houve alta em relação a abril deste ano, quando a taxa estava em 1,40% ao mês. No mesmo período do ano passado, era de 1,55% ao mês.

Ao considerar os juros de todo o mercado — não somente os praticados pelos bancos das montadoras —, a taxa média subiu de 1,78% para 1,86%, a primeira em seis meses.

O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (30). “O crescimento da taxa de juros no mês de maio já reflete o aumento da Selic [taxa básica de juros] anunciado em meados do mês. No entanto, o mercado continua com o seu desempenho positivo, pois há a confiança do consumidor no cenário macroeconômico brasileiro”, afirma Décio Carbonari de Almeida, presidente da Anef.

As carteiras de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e Leasing para pessoas físicas chegaram a R$ 166,6 bilhões em maio, montante 14% superior ao registrado no mesmo período de 2009.

Desse total, R$ 108,3 bilhões correspondem ao CDC, que teve um incremento de 32,4% em doze meses (R$ 81,8 bilhões), e R$ 58,3 bilhões equivalem à carteira de Leasing, que apresentou uma retração de 9,5% em doze meses (R$ 64,4 bilhões).

Os planos médios de financiamento ficaram em 42 meses em maio, ante 40 meses de maio de 2009. Em relação ao mês de abril, houve recuo, já que a média estava em 43 meses. Já a taxa de inadimplência acima de 90 dias para as operações de CDC mantém a tendência de queda e atingiu em maio o índice de 3,8% contra 5,3% de igual período de 2009.

Entenda a crise com o mercado imobiliário nos EUA

Os mercados ao redor do mundo estão preocupados com o setor imobiliário nos Estados Unidos, que atravessou um boom nos últimos anos. O medo principal é sobre a oferta de crédito disponível, já que, há algumas semanas, foi detectada uma alta inadimplência do segmento que engloba pessoas com histórico de inadimplência e que, por conseqüência, podem oferecer menos garantia de pagamento --é o chamado crédito 'subprime' (de segunda linha).

Justamente por causa do alto volume de dinheiro disponível ultimamente, o 'subprime' foi um setor que ganhou força e cresceu muito. A atual crise, assim, é proporcional à sua expansão.

Como os empréstimos 'subprime' embutem maior risco, eles têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos e bancos em busca de retornos melhores. Estes gestores, assim, ao comprar tais títulos das instituições que fizeram o primeiro empréstimo, permitem que um novo montante de dinheiro seja novamente emprestado, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago.

Também interessado em lucrar, um segundo gestor pode comprar o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerando uma cadeia de venda de títulos.

Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os 'subprime', o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).

Arte Folha

No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo, por isso o pessimismo influencia os mercados globais.

O estopim para a tensão mundial foi justamente uma notícia vinda da Europa, de que o banco francês BNP Paribas, um dos principais da região, havia congelado o saque de três de seus fundos de investimentos que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias nos EUA. A instituição alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos.

O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos imobiliários. Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA relataram problemas de caixa.

Os investidores, então, começaram a ficar preocupados com o tamanho do prejuízo. Principalmente porque ninguém sabe, até hoje, quanto os bancos e fundos de investimento têm aplicados nesses créditos de alto risco. E o caso do Paribas sinalizou que esses problemas e medos haviam atravessado as fronteiras.

Esse desconhecimento geral começou a provocar o que se chama de crise de liquidez (retração do crédito) no sistema financeiro. Num mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular --quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça.

Para socorrer os mercados financeiros e garantir que eles tivessem dinheiro para emprestar, os principais bancos centrais do planeta --o BCE (Banco Central Europeu), o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e o Banco do Japão, além de entidades da Austrália, Canadá e Rússia-- intervieram e liberaram bilhões de dólares em recursos aos bancos. O medo é que com menos crédito disponível, caia o consumo e diminua o crescimentos das economias.

Como a crise americana provoca aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender --ou seja, oferta elevada--, os preços dos papéis caem.

Fonte: Folha online

 


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